quinta-feira, 4 de maio de 2017

Obra inédita no Brasil por 438 anos finalmente é traduzida por Frank Viana Carvalho

Samuel Luz apresenta a obra durante o Curso Básico sobre Liberdade Religiosa
 na OABSP em 03 de maio de 2.017
Frank Viana Carvalho, após 17 anos de pesquisa de mestrado, doutorado e pós-doutorado sobre a obra de 1.579 dC, VINDICIAE CONTRA TYRANNOS, lega à Língua Portuguesa a tradução, edição e análise dessa produção, avançada para sua época e, ainda, atualíssima. Eis um resumo da obra, que tenho tido a honra de divulgar nos eventos que tenho participado. Para mais informações deixe uma mensagem no formulário de contato, ao lado, abaixo.
Estamos vivendo um momento (ou época) de grande crise na questão dos Valores, da Moral e da Política (e todas as suas relações com a Ética). Pesquisadores de diferentes partes do mundo do tema da Sociedade e da Política (ou como dizemos, Ética e Filosofia Política) acreditam que continuamente devemos revisitar os autores clássicos para refletir e encontrar soluções para os dilemas do presente.
O livro e os temas que apresentados são o resultado de uma longa, árdua e aprofundada pesquisa sobre a Ética e a Política resultante dos estudos de Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado em Filosofia do Dr. Frank Viana Carvalho. Ao todo a pesquisa durou dezessete anos que se mostram agora num livro que tem duas vertentes a partir da tradução e análise da obra “Vindiciae Contra Tyrannos”: uma pesquisa analítica e conceitual sobre a obra que também explora o caráter historicista das influências sobre os personagens e autores do período das Guerras de Religião, e uma abordagem do fenômeno político da tirania em suas influências e interferências no poder, nos costumes, na liberdade de consciência, na expressão da fé, e nas questões da liberdade religiosa. Ao traduzir, comentar e analisar a principal obra do período, também foi utilizado o nome dela no título tema do livro. 

A obra é mesmo sobre o tema dos escritores políticos protestantes que lutaram contra a tirania do poder, um pouco antes e logo após o Massacre da Noite de São Bartolomeu, no século Renascentista, onde milhares de súditos franceses huguenotes (protestantes calvinistas franceses) foram mortos por uma ordem arbitrária do rei - um reflexo da tirania do poder centralizado  (o absolutismo). As estimativas históricas colocam entre trinta mil e cem mil protestantes mortos em toda a França fruto desse ato.

Enquanto os escritores monarcômacos (eles receberam esse 'nome') lutavam contra a tirania e opressão religiosa, em seus escritos eles defendiam a democracia representativa e a liberdade de consciência e livre expressão da fé - uma completa modernidade em pleno século renascentista.

Obra é apresentada durante Curso Básico sobre Liberdade Religiosa
 na OABSP em 03 de maio de 2.017
A obra de 463 páginas recebeu o nome de 'Vindiciae Contra Tyrannos - O Direito de Resistir'. A USP, berço da pesquisa que resultou no livro, valorizou muito a pesquisa, tanto oferecendo a Editora oficial da FFLCH-USP, a Discurso Editorial para a edição, como realizou no final de março um evento (Simpósio) com a presença dos pesquisadores do tema para destacar a importância da obra e dos temas a ela relacionados.

Enfim, a obra é um sopro de esperança para uma reflexão que possa levar a uma renovação da Ética e para uma boa Política com tudo o que vem junto.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Fórum Inter-religioso de São Paulo toma posse no Palácio do Governo

O governador Geraldo Alckmin empossou no dia 27 de abril de 2017, os membros do Fórum Inter-religioso do Estado de São Paulo. A cerimônia de posse aconteceu no auditório Ulisses Guimarães, no Palácio dos Bandeirantes.

Institucionalizado desde 2013, pela Lei 14.947, de autoria do Deputado Campos Machado, o grupo tem a missão de propor políticas públicas que respeitem as diferenças, incentivem a liberdade de expressão e estimulem a cidadania para a promoção da cultura de paz, além de combater a intolerância religiosa e buscar soluções para denúncias de violações de direitos. Busca, ainda, defender a dignidade humana, o direito inviolável à liberdade de consciência e de crença e a livre participação em cultos religiosos, assim como a proteção ao locais de culto e liturgias, assegurados pela Constituição Federal.

O Fórum Inter-religioso é formado por titulares e suplentes indicados pelos 28 segmentos religiosos que integram o grupo, pelo poder público estadual, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil, Defensoria Pública, Poder Legislativo, universidades, associações e organizações não-governamentais. O mandato é de dois anos.
Entre os membros do Fórum, há representantes do budismo, catolicismo, candomblé, islamismo, espiritismo, judaísmo, umbanda, xamanismo, da rede evangélica, dos presbiterianos, dos adventistas, dos agnósticos e de outros segmentos religiosos.

Ao empossar os membros do Fórum Inter-religioso, o governador Geraldo Alckmin afirmou que a instalação do Fórum “é o que de mais importante podíamos fazer para unir a sociedade de São Paulo e dar exemplo no combate à intolerância religiosa”.

Segundo ele, “a origem de todo esse movimento é o respeito, aprendermos a respeitar o outro. É um respeito alicerçado no amor, que é o que promove todas as religiões e todos os debates inter-religiosos. E evitar a injustiça. A injustiça cometida contra uma única pessoa é uma ameaça a toda sociedade”.
Para demonstrar a importância do Fórum, citou que o Brasil registrou 64 casos de intolerância religiosa em 2016. “Hoje damos um passo importante para evitar qualquer forma de violência e garantir a liberdade de crença”, lembrou.
O secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania, Márcio Fernando Elias Rosa, que preside o fórum, disse que “o diálogo inter-religioso, quando ausente, alimenta guerras, conflitos, perseguições; quando presente, celebra a paz a comunhão”.
E acrescentou: “o Governo do Estado, que alinha seus projetos e ações com a perspectiva única de fazer valer os ideais de justiça social, como a igualdade de oportunidades entre todos, tomando sempre a dignidade da pessoa humana como princípio orientador e a real concretização de direitos individuais e sociais como meta a ser dia a dia buscada, presta assim mais um relevante serviço público ao buscar pessoas como as que agora tomam posse para que juntos levemos adiante a cultura da tolerância e da liberdade de crença”.
 Emocionada, Mãe Carmen de Oxum, representante das religiões de matriz africana, também destacou a importância da iniciativa. “O Governador, ao assinar a Lei 14.947, em 2013, e formalizar este fórum de grande importância para o direito do cidadão paulista, nos fez iguais na nossa diferença”, observou.
As futuras gerações, acentuou, “terão orgulho de viver em um Estado melhor, com esta grande iniciativa política e humana”. Destacou que a luta em busca da paz “é infinita e jamais será em vão”. E finalizou salientando “o orgulho que sentimos pela resistência e persistência e ver aonde chegamos”.

Para Samuel Gomes de Lima, da Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania - ABLIRC, que falou em nome de todos os membros do Fórum, a concretização do grupo é uma iniciativa “ousada”.
“Do ponto de vista da crença pode haver um abismo entre uma concepção religiosa e outra, mas sobre esse abismo temos o dever de construir uma ponte; e se pudéssemos nominar essa ponte seu nome seria respeito”, afirmou.
Destacou, ainda, que “no Estado Democrático de Direito, o cidadão tem a garantia de poder assumir sua religiosidade sem restrições, da mesma forma que aceita conviver pacificamente com aqueles que preferem professar outra religião ou não ter crença alguma”. 
E fez questão de frisar: “O Fórum Inter-religioso defende a promoção da liberdade religiosa inclusiva, ou seja, para todos. Ela é abrangente, inclui todas as crenças e não apenas o interesse de alguns grupos”.
O Estado de São Paulo é o pioneiro e único estado da Federação a possuir, com o Fórum, um espaço democrático de diálogo, criado por lei estadual, com competência para implementar política de estado de enfrentamento e combate à intolerância religiosa e promoção da cultura de paz e liberdade de crença.
A solenidade contou com a presença do presidente da Seção São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcos da Costa; do defensor público geral, Davi Depiné Filho, e de outras autoridades e lideranças religiosas. Teve, ainda, apresentação do Coral do Colégio Adventista de São Miguel Paulista.
Fonte: Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania - Assessoria de Comunicação
Disponível em: www.justica.sp.gov.br

terça-feira, 4 de abril de 2017

Fundação Florestan Fernandes de Diadema recebe diretora do Museu do Holocausto da Carolina do Norte em evento histórico


A Fundação Florestan Fernandes de Diadema realiza na próxima sexta, 07 de Abril de 2017, às 9h30, o  Simpósio sobre Genocídio Étnico, Cultural, e Religioso. Trata-se de uma parceria da OAB-SP/Diadema;  ABLIRC – Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania; IRLA – International Religious Liberty Association com o Museu do Holocausto WFCS, da Carolina do Norte, USA, com o apoio da Prefeitura Municipal de Diadema através da Fundação Florestan Fernandes.

O evento trará as visões e vivências a respeito da intolerância e crimes de ódio como o Holocausto. O tema apresentado será: RELEMBRAR PARA NÃO REPETIR e terá como palestrantes a diretora do Museu do Holocausto WFCS, Karel Reynolds e Connie Davies, coordenadora pedagógica da instituição.

Karel A. Reynolds, diretora do Museu do Holocausto da Carolina do Norte nos Estados Unidos é uma das maiores estudiosas a respeito do genocídio em todo mundo. Em sua apresentação relatará as atrocidades que levaram à morte mais de seis milhões de judeus e outros grupos como Testemunhas de Jeová e Ciganos durante a ditadura nazista alemã.


 Para Karel é preciso entender como sociedades, países com democracia estabelecida podem se desumanizar e implantar um regime de morte a exemplo da Alemanha. A pesquisadora demonstrará como o genocídio em Ruanda, em 1994, que levou à morte mais de 800 mil pessoas em cem dias e criticou a maneira como as organizações mundiais assistiram caladas a mortandade de tantas pessoas.

Reynolds acredita que o a memória do Holocausto serve como um alerta a toda humanidade a respeito do terror que o ódio racial pode implantar em uma democracia. “Nós podemos ser a voz para condenar o ódio em nossa geração”, afirma a diretora do Museu do Holocausto da Carolina do Norte.

A tradução será do Dr. Jonatas Granieri, Presidente da Comissão de Liberdade Religiosa da OAB da  cidade de Franco da Rocha, na grande São Paulo.

Endereço: Alameda da Saudade, 186 - Conceição, Diadema - SP.





domingo, 25 de dezembro de 2016

Liberdade Religiosa ganha importantes espaços na sociedade

TEMPO DE LEITURA: 5 MINUTos. Este texto foi escrito por Gideon Luz, Diretor do Departamento de Promoção e Defesa da Cidadania da ABLIRC.

A defesa e promoção da liberdade religiosa tem alcançado grande destaque na sociedade, por essa e outras razões estamos retomando as postagens nesse blog.


Meu pai, Samuel Gomes de Lima, também conhecido como Samuel Luz, tem sido um ardoroso defensor da liberdade religiosa desde o início do Século XXI.

Após realizar alguns eventos sobre o tema, no dia 09 de novembro de 2004, numa Assembleia realizada no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo, foi constituída a ABLIRC – Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania.

Durante vários anos ele manteve o blog: 


todavia, após a conquista de importante espaço institucional, que foi a constituição da Frente Parlamentar Mista pela Liberdade Religiosa no Congresso Nacional, composta por 208 Deputados Federais e 12 Senadores, ele se desiludiu com as turbulências do meio político nacional, em virtude da corrupção, e não mais alimentou o blog.

Ironicamente a última postagem do blog é uma reportagem sobre a participação de Eduardo Cunha no evento da Frente Parlamentar pela Liberdade Religiosa, quando detinha a presidência da Câmara Federal. Hoje não mais deputado federal, menos ainda presidente da Câmara, Eduardo Cunha é réu e vive no cárcere enquanto tramitam as Ações na Justiça contra ele.

Após essa breve contextualização que fiz na perspectiva de incentivar a retomada do blog, disponibilizando-me a ser um dos colaboradores, trago os tópicos a seguir, para reflexão:

Cenário atual


A defesa e promoção da liberdade religiosa tem conquistado a cada ano novos e importantes adeptos. Situação bem diferente do que ocorria no final do Século XX.

Organizações não governamentais têm surgido com esse propósito. Espaços institucionais em estruturas governamentais têm sido abertos com o objetivo de defender, proteger e promover a liberdade religiosa.

Segundo pesquisa do Pew Research Center, um Centro de Pesquisas sobre Religião e Vida Pública sediado em Washington DC, EUA, que estuda e analisa a demografia global e as restrições religiosas ao redor do mundo, o Brasil já ocupou a primeira posição como o lugar com o menor índice de intolerância religiosa, entre os 25 países mais populosos do mundo. 

No entanto tal marca não é mais uma realidade, pois acompanhando uma tendência mundial, a liberdade religiosa está encolhendo, inclusive em terras tupiniquins.

Tema da redação do ENEM


Estou cursando o quinto ano do Curso de Direito. Não faz muito tempo, passei pela experiência de fazer o ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio. O tema da redação do ENEM é um dos pontos mais destacados do certame e o desempenho nessa produção de texto dissertativo-argumentativo é fundamental para a conquista de uma boa nota.

Foi surpreendente constatar que o tema da redação do ENEM 2016 foi “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil.”








Mais de seis milhões de estudantes do Brasil tiveram de refletir sobre o tema da liberdade religiosa para produzir um texto de 30 linhas. Parece pouco, mas não é.

Tiveram que ler textos, gráficos e outros subsídios que o caderno do exame trazia. Buscaram na própria experiência situações para enriquecer a produção da redação proposta. 

Além disso, tenho certeza que muitos recorreram a um repertório de citações de filósofos, sociólogos e outras personalidades históricas que deixaram registradas declarações que poderiam conferir autoridade à argumentação.

Claro, sempre aparece alguém dizendo que outros temas mais importantes poderiam ser escolhidos, mas na minha opinião, foi muito acertada a escolha, pois está em consonância com o destaque que a questão da liberdade religiosa tem alcançado na contemporaneidade. Clique aqui  e conheça o Mapa Mundi da Intolerância Religiosa.


Desafio


Meu primeiro desafio para 2017 é a retomada desse blog junto com o seu idealizador, Samuel Luz. Todavia, meu compromisso com o tema da liberdade religiosa não se limitará apenas à produção de conteúdo. 

Ainda no primeiro trimestre de 2017 vamos reformular o visual do blog, tornando-o mais atrativo e com maior usabilidade.

Estamos formando uma equipe de colaboradores, que juntamente comigo e com meu pai, produzirão conteúdos relevantes para o blog.

Embora escrever não seja uma tarefa tão simples, também abriremos espaço para quem desejar submeter um texto para publicação em nosso blog.

Escrever é uma habilidade que pode ser aprendida. Quem desejar aperfeiçoar sua capacidade de produzir textos poderá participar de nossos treinamentos, presenciais ou online.

Para receber nossa newsletter e outros materiais gratuitos, escreva seu nome e e-mail no Formulário de Contato que teremos o maior prazer em enviar para você esse conteúdo.

2017 será um grande ano para a defesa e promoção da liberdade religiosa. 

Também será um excelente momento para nos apropriarmos das ferramentas que a tecnologia nos oferece para potencializarmos um ativismo ordeiro e racional que sensibilize a sociedade pelas causas mais importantes e valiosas.

Vamos celebrar essa parceria?

Feliz 2017!





sábado, 15 de agosto de 2015

Eduardo Cunha apoia Frente Parlamentar Mista Pela Liberdade Religiosa



Presidente da Câmara Federal, Deputado Eduardo Cunha, prestigia I Encontro Nacional da Frente Parlamentar Mista pela Liberdade Religiosa, constituída pelo Deputado Federal Moroni Torgan. O evento ocorreu no dia 11 de Agosto na Câmara dos Deputados. Mais de 200 pessoas compareceram. Representantes dos mais variados seguimentos religiosos compartilharam experiências e expectativas.
Samuel Gomes de Lima, na qualidade de presidente da Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania - Ablirc, foi um dos organizadores do encontro. "O evento superou as expectativas, pois atraiu apoio de parlamentares de vários partidos e visão religiosa, além de sensibilizar o mais alto escalão da Câmara dos Deputados", destacou o líder da ABLIRC.




quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Frente Parlamentar Mista pela Liberdade Religiosa realiza 1º Encontro Nacional Temático

A Frente Parlamentar Mista Pela Liberdade Religiosa do Congresso Nacional teve seu 1º Encontro Nacional na 3ª feira, 11 de Agosto de 2015, no auditório Nereu Ramos, da Câmara Federal. Comandada pelo Deputado Federal Moroni Torgan, a Frente inicia publicamente suas atividades estabelecendo os elementos conceituais da Liberdade Religiosa e contou com a presença e aval do Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.
 Motivos para Defesa e Promoção da Liberdade Religiosa no Brasil

Segundo o Pew Research Center, um Centro de Pesquisas sobre Religião e Vida Pública sediado em Washington DC, EUA, que estuda e analisa a demografia global e as restrições religiosas ao redor do mundo, o Brasil é o lugar com o menor índice de intolerância religiosa, entre os 25 países mais populosos do mundo. No entanto tal marca não foi suficiente para impedir que uma adolescente fosse atingida por uma pedra, recentemente, pelo simples fato de estar usando trajes de sua religião de matriz africana. Um flagrante caso de intolerância e total desrespeito à liberdade religiosa.

No Estado Democrático de Direito o cidadão tem a garantia de poder assumir sua religiosidade sem restrições, da mesma forma é seu dever aceitar a convivência pacífica com aqueles que preferem professar uma religião diferente da sua ou não ter crença alguma. A liberdade religiosa é um dos direitos mais caros à dignidade humana.

Hédio Silva Júnior, em sua tese de doutoramento em Direito Constitucional abordou o tema da liberdade de crença e de religião, e deixou sintetizado que a liberdade de crença, da qual deriva a liberdade de culto, de liturgia e de organização religiosa, encerra um conteúdo jurídico que implica a consideração de pelo menos três aspectos essenciais:
A.      Liberdade de não crer, de ser indiferente, agnóstico, ateu, donde decorre o direito de não adesão a qualquer confissão religiosa.
B.      Direito de escolha, de aderir, segundo o livre arbítrio, a uma crença, engajando-se e associando-se ou não a uma confissão ou associação religiosa, assegurada a confissão teísta, monoteísta, politeísta, panteísta, henoteísta, ou de qualquer outra natureza, sem quaisquer ingerências estatais.
C.      Medidas de proteção da liberdade de crença, de culto, de liturgia e de organização religiosa, incluindo a prerrogativa assegurada pelo instituto da objeção de consciência, que se traduz na possibilidade de o indivíduo invocar sua crença para eximir-se de obrigações a todos imposta, sob a condição de cumprimento de prestação alternativa.
Importante destacar que a defesa, proteção e promoção da liberdade religiosa não implica em promoção de religião, mas de preservação e proteção do direito fundamental que cada pessoa tem de professar a religião de sua livre escolha ou de escolher não ter crença alguma.

Espaços acadêmicos se abrem para o tema da Liberdade Religiosa

Frente Parlamentar Mista pela Liberdade Religiosa (do Congresso Nacional) surge num momento em que o tema se tornou um dos Fatos Sociais mais significativos no Brasil nesse início de Século, quando as universidades públicas e privadas têm aberto espaço para uma análise mais profunda sobre o assunto.

A Universidade Federal de Uberlândia, por exemplo, instituiu um Grupo de Pesquisa sobre “Direito e Religião”, referendado pelo CNPQ, em cooperação com Oxford Journal of Law and Religion Academy (Oxford University Press) e nos dias 14 e 15 de outubro de 2015 realizará o 3º Encontro de Pesquisa sobre Direito e Religião & Oxford Journal of Law and Religion Colloquium, que tratarão do tema: “Liberdade Religiosa, Discriminação e Igualdade” e contarão com a participação do Departamento Científico da ABLIRC – Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania. Mais informações:  www.direitoereligiao.org

O que são as Frentes Parlamentares e como funcionam no Brasil
Frente parlamentar ou bancada é um grupo de membros dos poderes legislativos federal, estaduais e municipais que têm sua atuação unificada em função de interesses comuns, independentemente do partido político a que pertençam.
Fenômeno típico, mas não exclusivo, da política brasileira, esses grupos de interesse estão constituídos, em grande parte, sob a forma de sociedade civil, mas nasceram de bancadas suprapartidárias informais e até hoje são conhecidas por essa denominação na mídia. Assim, a Frente Parlamentar Mista pela Liberdade Religiosa, também poderá ser chamada pela imprensa como Bancada da Liberdade Religiosa no Congresso Nacional.
Através do ATO DA MESA de Nº 69, de 10 de novembro de 2005, a Câmara dos Deputados formalizou a instalação de Frentes Parlamentares, medida também adotada pelo Senado, logo em seguida. Conheça o texto integral desse ATO DA MESA:
A MESA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS, com fundamento no art. 15, incisos I e VIII, do Regimento Interno,
RESOLVE:
    Art. 1º Fica criado o registro de Frentes Parlamentares perante a Mesa da Câmara dos Deputados.
    Art. 2º Para os efeitos deste Ato, considera-se Frente Parlamentar a associação suprapartidária de pelo menos um terço de membros do Poder Legislativo Federal, destinada a promover o aprimoramento da legislação federal sobre determinado setor da sociedade.
    Art. 3º O requerimento de registro de Frente Parlamentar será instruído com a ata de fundação e constituição da Frente Parlamentar e o estatuto da Frente Parlamentar.
    Parágrafo único. O requerimento de registro deverá indicar o nome com o qual funcionará a Frente Parlamentar e um representante, que será responsável perante a Casa por todas as informações que prestar à Mesa.
    Art. 4º As Frentes Parlamentares registradas na forma deste Ato poderão requerer a utilização de espaço físico da Câmara dos Deputados para a realização de reunião, o que poderá ser deferido, a critério da Mesa, desde que não interfira no andamento dos trabalhos da Casa, não implique contratação de pessoal ou fornecimento de passagens aéreas.
    Art. 5º As atividades das Frentes Parlamentares registradas na forma deste Ato serão amplamente divulgadas pela TV Câmara, Rádio Câmara, Jornal da Câmara e na página da Câmara dos Deputados na Internet.
    Art. 6º Este Ato da Mesa entra em vigor na data de sua publicação.
O Deputado Aldo Rebelo presidia a Câmara por ocasião da aprovação do presente ATO DA MESA, razão pela qual assinou o documento.
Dentre as justificativas elencadas na ocasião, a de que as Frentes Parlamentares desempenham papel singular no processo de consolidação da democracia no País foi uma das mais significativas. A MESA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS entendeu ser incontestável o interesse público de incentivar essas associações suprapartidárias de parlamentares, com atuação no aprimoramento do processo legislativo brasileiro.
O Poder Legislativo do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios segue o mesmo modelo adotado pelo Congresso Nacional, no que diz respeito à instituição e funcionamento de Frentes Parlamentares temáticas.
Veja no próximo post histórico, finalidade e justificativa da criação da Frente Parlamentar Mista pela Liberdade Religiosa
Fonte: Câmara dos Deputados
Fotos: 1. Marcia Ebinger
Demais: Facebook.com/noticiassud

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Como tratar a intolerância religiosa?

A proibição do uso de saia comprida em um colégio na França reacendeu a discussão sobre a liberdade de crença nesse país europeu, bem no Brasil, em que existe uma sensação de 'liberdade' religiosa.

Aceitar e conviver com as diferenças é um dos maiores desafios da sociedade. No início de maio, o caso da estudante muçulmana Sarah, de 15 anos, barrada duas vezes no portão de uma escola francesa porque usava uma saia longa e preta, repercutiu no mundo todo. Na visão dos diretores do colégio, a vestimenta da garota representava uma ostentação religiosa. Na França, usar qualquer símbolo relacionado à religião no ensino público é proibido por lei. Mas, será que uma burca ou saia comprida é afronta às demais crenças? É possível um convívio harmonioso entre religiões distintas num país democrático e laico?

A história de Sarah inflamou as redes sociais e deu origem à campanha "Je Porte Ma Jupe Comme Je Veux" (eu uso minha saia como quiser, em português). Em 2014, um grupo contra a islamofobia na França recebeu quase 100 denúncias de casos similares. Desde o início de 2015, a organização trata de 20 ocorrências. Segundo Carlos Frederico Barbosa, professor de cultura religiosa da PUC Minas, a prática religiosa se fundamenta em simbologias. "Se a pessoa não pode usar aquilo que expressa sua crença, fica complicado, acaba gerando uma perspectiva não democrática", declara o especialista.

No Brasil, a constituição e outras legislações preveem a liberdade de crença aos cidadãos, além de proteção e respeito às manifestações religiosas.

Apesar das garantias de igualdade previstas em lei, o convívio harmonioso nem sempre acontece. De acordo com o professor da PUC Minas, as religiões afro-brasileiras ainda sofrem muita resistência da população. "Eu já presenciei práticas intolerantes contra pessoas adeptas do candomblé e da umbanda. No Brasil, existe a coibição por acharem que essa religião é demoníaca, que não compartilha da verdadeira fé, o que não deixa de ser uma prática antidemocrática", comenta Carlos Frederico Barbosa.

Para o sociólogo Ricardo Ferreiro Ribeiro, também professor da PUC Minas, o princípio para uma convivência saudável entre diferentes credos é a tolerância. "O que não é sagrado para mim, pode ser para o outro. Em alguns casos, é até possível encontrar celebrações conjuntas. Ano passado, assisti a uma celebração religiosa na comunidade quilombola feita por um padre, um pastor e por um pai de santo", conta o sociólogo.

A solução

O caminho apontado pelos especialistas para uma sociedade mais tolerante é a educação. "A escola tem papel fundamental, porque é o lugar em que a pessoa adquire a primeira experiência com o 'diferente'. As instituições de ensino precisam trabalhar o respeito nas diversidades, não só religiosas, como em outros aspectos também", orienta Ricardo Ribeiro.

Na concepção de Carlos Frederico, os ensinos religiosos não devem focar somente nas concepções cristãs. "É importante as pessoas compreenderem a matriz africana, o espiritismo, a prática islâmica, e outras religiões. O processo educacional deve abordar as diferenças, para que a sociedade cresça em meio às adversidades", destaca o especialista.

Fonte: http://sites.uai.com.br/