domingo, 2 de junho de 2013

John Kerry comenta o Relatório sobre Liberdade Religiosa Internacional

John Kerry é o sucessor de Hilary Clinton à frente do Departamento de Estado dos EUA. Em 20 de maio de 2013 ele fez um pronunciamento a respeito da divulgação do Relatório sobre Liberdade Religiosa Internacional.
SECRETÁRIO KERRY: Muito obrigado. Bom dia a todos. Como estão?
Bem, obrigado por se juntarem a nós aqui hoje para a divulgação do Relatório sobre Liberdade Religiosa Internacional 2012. Tenho o prazer de estar aqui com a nossa embaixadora-geral da área de Liberdade Religiosa, Suzan Johnson Cook, e eu gostaria de agradecer a ela e a toda a sua equipe pelo excelente trabalho que dispenderam ao ajudar a organizar este evento. Ela está fazendo – eles estão fazendo um fantástico trabalho no sentido de promover a liberdade religiosa no exterior.

Quero também reconhecer o trabalho árduo de um grupo de funcionários do Departamento de Estado tanto aqui em Washington, como em muitos postos ao redor do mundo, porque todos eles coletam informações e trabalham muito ao longo do ano para poderem redigir este relatório. Não se trata de um assunto de uma ou duas semanas. É um processo longo de um ano, contínuo.
Há quinze anos, tive muito orgulho de me juntar aos meus companheiros no Congresso dos Estados Unidos e aprovar a Lei de Liberdade Religiosa Internacional, lei que determina a preparação deste relatório do Departamento de Estado. Esse relatório, como muitos de vocês sabem, aponta os desafios que as pessoas enfrentam quando buscam nada mais que a liberdade religiosa básica, o direito de realizar cultos conforme desejarem. E a sua divulgação aqui, hoje, é uma demonstração do compromisso permanente do povo americano e de todo o governo dos EUA com a promoção da liberdade religiosa em todo o mundo.

A liberdade religiosa é um valor americano intrínseco. Valor esse que ajudou a criar nosso país. Tem estado no centro de nossa consciência nacional desde os anos 1600, quando os peregrinos fugiram insubmissos da perseguição religiosa e aportaram em meu estado natal de Massachusetts. E muitas dessas pessoas se estabeleceram na cidade de Salem, cujo nome remete às palavras “salaam” ou “shalom”, que significam “paz”.

Mas, mesmo lá, não demorou muito tempo até que conflitos religiosos chegassem à sua cidade. Mulheres foram acusadas de bruxaria e algumas foram queimadas na fogueira. Divergências que surgiram entre líderes religiosos em Massachusetts levaram algumas congregações a se separar e fundar novos povoamentos, que viriam a se tornar os estados de Connecticut e de Rhode Island. A cidade de Providence foi fundada por pessoas que vagavam pela floresta por todo o inverno e se depararam com essa extensão de água, e a batizaram de Providence por razões óbvias.

Assim, abordamos este assunto – eu certamente o faço – conscientes do nosso passado e de como, enquanto americanos, às vezes tivemos de trabalhar e lutar para fazer jus integralmente às promessas de nossos fundadores. John Winthrop, que por acaso também é meu avô 10 gerações passadas, nasceu na Inglaterra; mas sua fé ardente e sua discordância com a Igreja Anglicana o inspiraram a liderar um navio cheio de dissidentes religiosos com destino aos Estados Unidos em busca de liberdade religiosa. E, no convés do Arabella, ficou famoso por dizer em um sermão que proferiu antes de desembarcarem: “pois devemos considerar que seremos como uma cidade no alto de uma colina. Os olhos de todo o mundo se voltarão para nós”. E eles estiveram, e permanecem lá. E, apesar de não sermos perfeitos, nenhum lugar acolheu tantas religiões diferentes, capazes de realizar seus cultos tão livremente, como aqui nos Estados Unidos da América. É algo de que podemos nos orgulhar extraordinariamente.

Mas a liberdade religiosa não é uma invenção americana. É um valor universal. E está consagrada em nossa Constituição e gravada em cada coração humano. A liberdade de um indivíduo professar e praticar sua fé, crer ou não crer, ou mudar de crença, é um direito inato de todo ser humano. E é nisso que acreditamos. Esses direitos são devidamente reconhecidos nos termos das leis internacionais. A promoção da liberdade religiosa internacional é uma prioridade do presidente Obama e uma prioridade para mim, como secretário de Estado. Estou assegurando, e continuarei a fazê-lo, que a liberdade religiosa continue sendo parte integral do nosso compromisso diplomático global.

A divulgação deste relatório é parte importante desses esforços. Este relatório é uma visão clara e objetiva do estado da liberdade religiosa ao redor do mundo. E quando necessário, sim, adverte diretamente alguns de nossos amigos mais próximos, bem como alguns países com os quais buscamos ter laços mais fortes. E assim o faz a fim de que possamos tentar progredir, apesar de sabermos que possa causar algum desconforto.

Mas quando países comprometem ou atacam a liberdade religiosa, eles não apenas ameaçam injustamente aqueles que têm como alvo; ameaçam também a própria estabilidade de seu país. E vemos isso acontecer em muitos países. Ataques contra a liberdade religiosa são, desta forma, um problema de segurança nacional tanto moral quanto estratégico para os Estados Unidos.

Gostaria também de destacar que este relatório se baseou em uma vasta gama de contribuintes: líderes religiosos, organizações religiosas e jornalistas. Alguns desses indivíduos demostraram imensa coragem ao se apresentar e compartilhar suas observações. E suas histórias mostram que nós, enquanto comunidade internacional, temos muito trabalho a fazer.

O relatório registra discriminação e violência em países que variam desde democracias estabelecidas a arraigadas ditaduras. Documenta que governos ao redor do mundo continuam a deter, aprisionar, torturar e até matar pessoas em nome de suas crenças religiosas. Em muitos lugares, os governos também falham ao proteger minorias da discriminação social e da violência. O relatório identifica problemas globais de discriminação e violência contra grupos religiosos, incluindo baha'is, budistas, hindus, judeus, cristãos, muçulmanos e sikhs.

Uma tendência preocupante identificada pelo relatório é o crescimento potencial do antissemitismo. Assim, hoje, gostaria de anunciar que nomeei Ira Forman para o cargo de Enviado Especial para Monitorar e Combater o Antissemitismo. Há muito tempo Ira tem sido um campeão na defesa do tratamento justo para todos e tem trabalhado intensamente no combate à intolerância. Além disso, é uma ótima pessoa e estou ansioso para apoiá-lo nessa missão de vital importância. Bem vindo a bordo, Ira.

Finalmente, outra tendência preocupante é o uso crescente de leis regulando a blasfêmia e a apostasia. Essas leis são frequentemente usadas para reprimir a dissidência, assediar oponentes políticos e resolver vinganças pessoais. Leis como essas violam direitos fundamentais de liberdade de expressão e religiosa e acreditamos que devam ser rejeitadas. E, porque defendemos os direitos de expressão dos outros, estamos também assegurando que possamos expressar nossos próprios pontos de vista e praticar nossa própria fé, sem temer por nossa própria segurança ou por nossas vidas.

Por esse motivo, ao viajar pelo mundo, pressiono líderes a fazer mais para salvaguardar a liberdade de crença e para promover a tolerância religiosa. E é por isso que insto todos os países, especialmente aqueles identificadas neste relatório, a agir para salvaguardar essa liberdade fundamental.

Apesar deste relatório ressaltar os desafios da liberdade religiosa, também é verdade que está cada vez mais difícil restringir a liberdade do ser humano. Em toda a história humana, nunca foi tão fácil para as pessoas compartilharem seus pontos de vista, encontrar informações, conectar-se com outras pessoas, até mesmo enviar mensagens desesperadas, pedindo socorro ou que denunciem abusos em curso, graças à comunicação instantânea. Assim, apesar de que graves desafios à liberdade religiosa perduram, não poderia estar mais otimista em relação às perspectivas para a liberdade ao redor do mundo, porque há grandes perspectivas em apontar responsáveis ao redor do mundo.
Muito obrigado. 

Fontes: Google images - Digital Usembassy http://iipdigital.usembassy.gov/st/portuguese/texttrans/2013/05/20130522147823.html#ixzz2V59J5FZX

sábado, 1 de junho de 2013

Papa Francisco tentará barrar avanço evangélico no Brasil

papa francisco evangélicos
Papa Francisco vai tentar conter o avanço dos evangélicos no Brasil. Nas duas últimas décadas a comunidade católica foi diminuindo em razão da ascensão das igrejas evangélicas e pentecostais.


Papa Francisco terá forte atuação na América Latina. Uma das maiores preocupações é conter o avanço evangélico no Brasil. (Foto: Divulgação)

Por Eva Saiz, Jornal El Pais
A eleição do cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio como novo papa da Igreja Católica chamou a atenção para a situação religiosa e espiritual da América Latina, a região que concentra o maior número de católicos do mundo. Em seu escasso mês à frente do Vaticano, Francisco deixou claro que em seu papado dará preferência aos pobres, mas ainda não dissipou as dúvidas sobre como exercerá seu papado na região o primeiro pontífice americano.
Durante um encontro na sede do Diálogo Interamericano em Washington, o cardeal e bispo emérito da capital americana, Theodore McCarrick, indicou que as viagens que Francisco tem marcadas para o Brasil, em julho, e Argentina e Chile, em setembro, poderão dar sinais esclarecedores sobre seu papel, mas deixou claro que conter o avanço da Igreja Evangélica deverá ser uma prioridade.
Quando o papa visitar o Brasil, fará seus cidadãos verem a importância da Igreja Católica ali e o fará com entusiasmo, dirigindo-se diretamente às pessoas, fazendo-as ver que não existe uma diferença essencial entre essa confissão e a evangélica”, indicou McCarrick, que esteve presente no último conclave, embora não pudesse votar por causa de sua idade (83).
Em agosto do ano passado, o então papa Bento XVI falou sobre o contexto da América Latina como uma zona onde a Igreja Católica deveria enfrentar um pluralismo religioso crescente. Nas duas últimas décadas a comunidade católica foi diminuindo às custas das igrejas evangélicas e pentecostais.
O Brasil, primeiro destino de Francisco na América Latina, é um claro exemplo dessa situação. Com 123 milhões de seguidores, o país sul-americano é o que tem a maior população católica do mundo, entretanto o censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2010 mostrou uma diminuição de fiéis de 10% na primeira década do século 21, devido à expansão do credo evangélico. A Igreja Evangélica brasileira já conta com 42 milhões de membros.
  • Com 565 milhões de fiéis em todo o mundo, 107 milhões de evangélicos se encontram na América Latina e no Caribe.

McCarrick afirma que a “personalidade humilde” do novo papa impedirá o rápido avanço dos evangélicos não só na América Latina, como nos demais países em desenvolvimento. “Se ele quiser, mudará a América Latina de alto a baixo”, afirma o prelado.
Para a Igreja Católica, os problemas que fazem os fiéis se distanciarem de seu credo não são tanto dogmáticos quanto pastorais, e nesse sentido, segundo McCarrick, “Francisco é o melhor pastor, tem a intenção de transpor a linguagem do Concílio Vaticano 2º para o dia a dia”.
O cardeal de Washington mostra-se convencido de que o novo papa “desenvolverá uma relação diferente da que a Igreja Católica teve até agora na América Latina, concentrada nas elites e nos governantes. Isso vai mudar, vai ser diferente”.
O antigo bispo de Washington destaca as qualidades humanas e espirituais do novo pontífice como os motores propícios para liderar essa mudança e, nesse sentido, destaca seu domínio do espanhol e do português como ferramentas para ressaltar sua intenção reformista.
“Talvez não tenha o carisma de João Paulo II, mas Franciscodemonstrou que sabe criar atmosferas propícias, sabe se conectar com o povo. O fato de que fala seu idioma faz que os latino-americanos o vejam como um dos seus, que o percebam como alguém próximo.”
Apesar desse retorno aos princípios do Concílio Vaticano II que McCarrick prevê que o papa Francisco vai liderar, a abertura da Igreja Católica na América Latina não é completa, pelo menos por enquanto.
Outro problema incrustado, o movimento da Teologia da Libertação, não parece que será resolvido em médio prazo. “É claro que a Teologia da Libertação compartilha o substrato do Concílio Vaticano II, mas o que a igreja não pode tolerar que ampare e apoie movimentos guerrilheiros e violentos”, afirma McCarrick.
“Sem dúvida, o compromisso do novo papa com os mais pobres e sua defesa do meio ambiente foram bem recebidos e ajudarão a estender pontes, mas a perseverança em alguns de seus princípios continuará provocando oposição no Vaticano. É o que Francisco tentará lhes explicar”, indica o cardeal americano.

Fontes: Pragmatismo Político
             Google images

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Papa Francisco pede respeito ao direito de expressão pública da fé

“O Papa Francisco apelou hoje ao respeito pelo direito à “expressão pública” da fé de cada pessoa, numa mensagem que assinalou o 1700.º aniversário do Edito de Milão, que trouxe liberdade religiosa aos cristãos.
“Que seja respeitado em todos os lugares o direito à expressão pública da própria fé e seja acolhido sem preconceitos o contributo que o Cristianismo continua a oferecer à cultura e à sociedade do nosso tempo”, pede o texto dirigido ao arcebispo milanês, cardeal Angelo Scola (…).
O edito que decretou a “liberdade religiosa para os cristãos” foi assinado pelo imperador romano Constantino, que nasceu em 274 e faleceu em 337.A mensagem do Papa, transmitida através do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, fala numa “decisão histórica” que abriu caminho “de forma decisiva ao nascimento da civilização europeia.” … (Fonte: Agência Ecclesia)


A Liberdade Religiosa no contexto dos Direitos Humanos como fato social durante os 25 anos da Constituição Federal de 1988


* Samuel Gomes de Lima

A propósito da repercussão do II Festival Mundial de Liberdade Religiosa, ocorrido no Vale do Anhangabaú no dia 25 de maio de 2013, aproveito para publicar esse breve artigo sobre a promoção da liberdade religiosa durante os 25 anos da Constituição de 1988.
O tema da Liberdade Religiosa tem se consolidado como um dos mais presentes na sociedade desde a promulgação da Constituição Federal em 1988. Importantes e respeitáveis instituições têm se pronunciado e aberto espaço para atividades sistemáticas visando à proteção, defesa e promoção da Liberdade Religiosa como um direito humano fundamental. Destaque para a OAB-SP, que foi a Seccional pioneira em todo o Brasil a instituir a Comissão de Direito e Liberdade Religiosa, atualmente presidida pela Advogada Damaris Dias Moura Kuo.

Foto: 25º Fórum Paulista de Direito a Liberdade Religiosa e CidadaniaSeguindo o exemplo da Seccional paulista, várias Subseções também instituíram a Comissão de Direito e Liberdade Religiosa, como é o caso de Araçatuba, que tem à frente dessa importante Comissão a Advogada Flávia Dias. Tive a honra de sentir a pujança desse trabalho ao participar, em 2012, de um Fórum de Liberdade Religiosa e Cidadania na Subseção de Araçatuba.

O volume de evento sobre a temática em tela gerou o que, Émile Durkheim, o pai da sociologia moderna, denominou de FATO SOCIAL, o qual consiste numa "norma coletiva com independência e poder de coerção sobre o indivíduo e instituições." FATO SOCIAL caracteriza-se por conter três elementos essenciais: Exterioridade, Generalidade e Coerção.

Segundo Durkhem, "as representações coletivas são o produto de uma imensa cooperação que se estende não apenas no espaço, mas também no tempo. Para reproduzir tais representações coletivas uma multidão de mentes diversas se associaram, misturaram, combinaram suas idéias e seus sentimentos. Uma longa série de gerações acumularam aí sua experiência e o seu saber. Uma intelectualidade muito particular, infinitamente muito mais rica e mais complexa que a do indivíduo aí está como que concentrada."[1]

Ao longo dos 25 Anos de vigência da atual Constituição, os elementos acima citados se fizeram presentes e a sociedade brasileira tem se apropriado de forma crescente dos fatores que constituem a base da liberdade religiosa através de um volume de eventos, promovidos pelos mais diferentes segmentos da sociedade tendo como foco a defesa, proteção e promoção das liberdades fundamentais de crença, consciência e religião.

A Constituição de 1988 prescreve que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício de cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias"[2]

Ainda o texto constitucional estabelece que "ninguém será privado de direitos por motivo de crença ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei."[3]


Em artigo futuro esse tema poderá ser aprofundado, mas fica nessa síntese um vislumbre da liberdade religiosa como um direito fundamental contemplado na Constituição Federal de 1988 que se consolida na sociedade brasileira como fato social, marcado em muitos municípios com a fixação através de lei ordinária com a data de 25 de maio, como Dia da Liberdade Religiosa, a exemplo da cidade de São Paulo, em função do II Festival Mundial de Liberdade Religiosa, ocorrido nesta data em 2013.

  



* Presidente da ABLIRC - Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania
[1] Durkheim, Émile. As Formas Elementares da Vida Religiosa, p. 45, Ed. Paulus, 1989
[2] Constituição Federal, artigo 5º , inciso VI
[3] Idem, inciso VIII

Fontes: Google images, 

terça-feira, 28 de maio de 2013

II Festival Mundial de Liberdade Religiosa reúne 30.000 pessoas no Vale do Anhangabaú

São Paulo, SP … [ASN] Se no mundo 40% dos países sofrem com leis que restringem a liberdade religiosa, no Brasil esse quadro não é uma realidade. A convivência harmônica entre as diferentes religiões foi bem ilustrada no Festival Mundial de Liberdade Religiosa, evento organizado pela Associação Internacional de Liberdade Religiosa (IRLA) que levou cerca de 30 mil pessoas ao Vale do Anhangabaú, região central de São Paulo, no sábado à tarde, dia 25 de maio.
Lado a lado líderes de pouco mais de 20 religiões e igrejas distintas assistiram a um programa por mais de duas horas para celebrar o respeito e a tolerância. Um deles foi o sheik Jihad Hammadeh, presidente do Conselho de Ética da União Nacional Islâmica. O muçulmano, representante de 1 milhão e meio de fiéis que expressam sua fé livremente no Brasil, avaliou o evento como muito interessante, pois “foi uma forma de reafirmar os compromissos com uma sociedade pluralista e onde há respeito mútuo”. Hammadeh se disse contente com a legislação brasileira que assegura os direitos fundamentais às crenças, mas afirmou que ainda é necessário um trabalho de educação para que as pessoas saibam aceitar as crenças diferentes das suas. Todos os líderes religiosos presentes receberam uma homenagem e uma lembrança especial por seus esforços para criar um ambiente favorável ao livre exercício de crer ou mesmo de não crer.
O presidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia no mundo, pastor Ted Wilson, agradeceu a todas as autoridades que se manifestaram publicamente a favor da liberdade de expressão religiosa. “A liberdade religiosa é um dom de Deus que devemos guardar como um tesouro”, disse aos presentes. Já o pastor Erton Köhler, que lidera a denominação na América do Sul, ressaltou o conceito de liberdade religiosa inclusiva, ou seja, direitos para todos e não para uma ou outra religião apenas.

Deputados e vereadores também marcaram presença, muitos deles responsáveis pela elaboração de leis municipais e estaduais que garantem aspectos de liberdade religiosa em suas esferas de atuação. Um deles, por exemplo, é o vereador de São Paulo, Paulo Frange, que conseguiu ter aprovada recentemente lei de sua autoria que instituiu o dia 25 de maio como Dia Municipal da Liberdade Religiosa na cidade de São Paulo. Outro legislador pró-liberdade religiosa presente ao Festival foi o deputado estadual Campos Machado, autor de lei semelhante que cria uma data específica para lembrar o direito.Reconhecimento governamental – O reconhecimento governamental a respeito da importância da temática de liberdade religiosa veio por meio da presença de alguns expoentes da política. Um deles foi o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho – representante da presidente da República Dilma Rousseff. Carvalho assinalou que o poder público precisa agir sempre no sentido de garantir a liberdade de crença dos cidadãos e sinaliza que essas garantias estão sempre nos planos do Governo Federal. Netinho de Paula, secretário de Igualdade Racial da Prefeitura de São Paulo, representou o prefeito Fernando Haddad e se disse satisfeito de participar de um evento daquele porte.
Transmissão- A TV Novo Tempo, emissora de propriedade da Igreja Adventista e que pode ser vista também em sinal aberto em São Paulo por meio do canal 46, transmitiu ao vivo todo o evento, bem como a Rádio Novo Tempo. Além disso, apresentadores da emissora cristã fizeram parte da programação. Veículos de comunicação religiosos e emissoras de TV como a Globo e de rádio como a CBN enviarem equipes ao local e veicularam reportagens sobre o assunto.
Samuel Luz, presidente da ABLIRC - Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania compôs a Comissão Organizadora do evento. "A liberdade religiosa está se transformando no grande tema do século XXI, pois está se configurando como um dos fatos sociais mais relevantes da atualidade", declarou o líder da ABLIRC.
O pastor Edson Rosa, secretário-executivo da IRLA na América do Sul e organizador geral do evento, fez um balanço positivo. Em sua opinião, o Festival mostrou principalmente uma boa representatividade de religiões preocupadas com o respeito e a tolerância. Além disso, serviu para divulgar a causa da liberdade religiosa para um número maior de pessoas, o que é saudável para consolidar o conceito.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Presidente da OAB-SP recebe autoridades mundiais de Liberdade Religiosa


Presidente da OAB-SP, Dr. Marcos da Costa recebeu em seu gabinete a delegação de autoridades defensoras do tema da Liberdade Religiosa ao redor do mundo no dia 22 de maio de 2013. O encontro antecedeu a abertura do I Simpósio Internacional de Direito Liberdade Religiosa da OBA-SP.

Ganoune Diop, natural do Senegal, é membro da Comissão de Direitos Humanos da ONU, dirigindo-se ao presidente da Ordem, declarou: “Parabenizamos a pujança com que o tema da liberdade religiosa é tratado em São Paulo, ao conhecer a dinâmica da OAB-SP, entendi o por quê. Que essa visão seja multiplicada por todos aqueles que interagirem com essa instituição”.

A comitiva liderada pela advogada Damaris Dias Moura Kuo, presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa  da OAB-SP, esteve composta também pelo Dr. Brian Grim, da Universidade de Boston; Dr. W. Cole Durham, da Brigham Young University; Dr. Todd Mc Faland, da IRLA – International Religious Liberty Association; Pr. Edson Rosa, Secretário Executivo da IRLA na América do Sul, Dr. Alcides Coimbra, Secretário Regional da IRLA no Estado de São Paulo; Dr. Gregory Clark, Assessor Legal de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias; Prof. Samuel Gomes de Lima, presidente da ABLIRC – Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania e pelo acadêmico de Direito da Mackenzie, Gideon Lautert de Lima, diretor do Departamento Jovem da ABLIRC.

Após a manifestação de apreço e reconhecimento à OAB-SP, a comitiva desceu para o salão nobre da casa onde aconteceu o I Fórum Internacional de Liberdade Religiosa. 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Especialistas abrem a Semana Internacional de Liberdade Religiosa em São Paulo

Advogados, empresários, profissionais liberais e lideranças religiosas se reuniram no auditório da Franklin Covey Brasil, para debater o tema da liberdade religiosa no ambiente corporativo. A coordenação dos trabalhos esteve a cargo do advogado Dr. Ricardo Cerqueira Leite.
A palestra de abertura foi proferida pelo Dr. Brian Grim, pesquisador responsável pelo PEW FORUM, um instituto de pesquisas sobre liberdade religiosa com sede nos Estados Unidos. "Pesquisas recentes indicam que medidas de restrição à liberdade religiosa, ao contrário do que muitos pensam, crescem em muitas regiões do planeta", alertou Grim.

W.Cole Durham, Diretor do Centro Internacional de Estudos sobre Direito e Religião, com sede em Provo, no Campus da BYU, Brigham Young University, destacou os países com maior índice de intolerância e exortou os presentes a serem persistentes na defesa, proteção e promoção da liberdade religiosa. "Embora o discurso de cooperação e diálogo seja recorrente sobre o tema, o assunto tem que sair do discurso e partir para a prática", disse Durham.

Falando diretamente aos empresários, Dr. Gregory Clark, advogado com ampla experiência em grandes corporações apresentou a liberdade religiosa como uma Responsabilidade Social Corporativa. "O poder econômico que as corporações exercem dentro de suas comunidades e governos pode atuar como um forte ímpeto para promover os direitos humanos, inclusive o da liberdade religiosa", destacou Clark.

Damaris Dias Moura Kuo, advogada, presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB-SP fez um resgate histórico da liberdade religiosa no Brasil desde o período colonial até a atualidade. A líder da OAB enfatizou que "as instituições precisam entender melhor esse tema, sobretudo o judiciário, para que distorções sobre uma interpretação equivoca do princípio da igualdade deixem de acontecer. Não há maior desigualdade do que querer tratar igualmente, os desiguais", comentou.

Por final falou o Dr. Todd McFarland, membro dos tribunais de Illinois, Missouri e Maryland, a American Bar Association, da Associação Americana para a Justiça, que apresentou os aspectos práticos da liberdade Religiosa no ambiente corporativo. "Precisamos ir aonde as demandas acontecem e estabelecer uma cultura de respeito e convivencia pacifica", sustentou Todd.



Sao Paulo se tronou, de 21 a 25 de maio, na capital mundial da liberdade religiosa, recebendo eventos em varias instituicoes com algumas das maiores autoridades mundiais sobre o tema.