domingo, 2 de junho de 2013

John Kerry comenta o Relatório sobre Liberdade Religiosa Internacional

John Kerry é o sucessor de Hilary Clinton à frente do Departamento de Estado dos EUA. Em 20 de maio de 2013 ele fez um pronunciamento a respeito da divulgação do Relatório sobre Liberdade Religiosa Internacional.
SECRETÁRIO KERRY: Muito obrigado. Bom dia a todos. Como estão?
Bem, obrigado por se juntarem a nós aqui hoje para a divulgação do Relatório sobre Liberdade Religiosa Internacional 2012. Tenho o prazer de estar aqui com a nossa embaixadora-geral da área de Liberdade Religiosa, Suzan Johnson Cook, e eu gostaria de agradecer a ela e a toda a sua equipe pelo excelente trabalho que dispenderam ao ajudar a organizar este evento. Ela está fazendo – eles estão fazendo um fantástico trabalho no sentido de promover a liberdade religiosa no exterior.

Quero também reconhecer o trabalho árduo de um grupo de funcionários do Departamento de Estado tanto aqui em Washington, como em muitos postos ao redor do mundo, porque todos eles coletam informações e trabalham muito ao longo do ano para poderem redigir este relatório. Não se trata de um assunto de uma ou duas semanas. É um processo longo de um ano, contínuo.
Há quinze anos, tive muito orgulho de me juntar aos meus companheiros no Congresso dos Estados Unidos e aprovar a Lei de Liberdade Religiosa Internacional, lei que determina a preparação deste relatório do Departamento de Estado. Esse relatório, como muitos de vocês sabem, aponta os desafios que as pessoas enfrentam quando buscam nada mais que a liberdade religiosa básica, o direito de realizar cultos conforme desejarem. E a sua divulgação aqui, hoje, é uma demonstração do compromisso permanente do povo americano e de todo o governo dos EUA com a promoção da liberdade religiosa em todo o mundo.

A liberdade religiosa é um valor americano intrínseco. Valor esse que ajudou a criar nosso país. Tem estado no centro de nossa consciência nacional desde os anos 1600, quando os peregrinos fugiram insubmissos da perseguição religiosa e aportaram em meu estado natal de Massachusetts. E muitas dessas pessoas se estabeleceram na cidade de Salem, cujo nome remete às palavras “salaam” ou “shalom”, que significam “paz”.

Mas, mesmo lá, não demorou muito tempo até que conflitos religiosos chegassem à sua cidade. Mulheres foram acusadas de bruxaria e algumas foram queimadas na fogueira. Divergências que surgiram entre líderes religiosos em Massachusetts levaram algumas congregações a se separar e fundar novos povoamentos, que viriam a se tornar os estados de Connecticut e de Rhode Island. A cidade de Providence foi fundada por pessoas que vagavam pela floresta por todo o inverno e se depararam com essa extensão de água, e a batizaram de Providence por razões óbvias.

Assim, abordamos este assunto – eu certamente o faço – conscientes do nosso passado e de como, enquanto americanos, às vezes tivemos de trabalhar e lutar para fazer jus integralmente às promessas de nossos fundadores. John Winthrop, que por acaso também é meu avô 10 gerações passadas, nasceu na Inglaterra; mas sua fé ardente e sua discordância com a Igreja Anglicana o inspiraram a liderar um navio cheio de dissidentes religiosos com destino aos Estados Unidos em busca de liberdade religiosa. E, no convés do Arabella, ficou famoso por dizer em um sermão que proferiu antes de desembarcarem: “pois devemos considerar que seremos como uma cidade no alto de uma colina. Os olhos de todo o mundo se voltarão para nós”. E eles estiveram, e permanecem lá. E, apesar de não sermos perfeitos, nenhum lugar acolheu tantas religiões diferentes, capazes de realizar seus cultos tão livremente, como aqui nos Estados Unidos da América. É algo de que podemos nos orgulhar extraordinariamente.

Mas a liberdade religiosa não é uma invenção americana. É um valor universal. E está consagrada em nossa Constituição e gravada em cada coração humano. A liberdade de um indivíduo professar e praticar sua fé, crer ou não crer, ou mudar de crença, é um direito inato de todo ser humano. E é nisso que acreditamos. Esses direitos são devidamente reconhecidos nos termos das leis internacionais. A promoção da liberdade religiosa internacional é uma prioridade do presidente Obama e uma prioridade para mim, como secretário de Estado. Estou assegurando, e continuarei a fazê-lo, que a liberdade religiosa continue sendo parte integral do nosso compromisso diplomático global.

A divulgação deste relatório é parte importante desses esforços. Este relatório é uma visão clara e objetiva do estado da liberdade religiosa ao redor do mundo. E quando necessário, sim, adverte diretamente alguns de nossos amigos mais próximos, bem como alguns países com os quais buscamos ter laços mais fortes. E assim o faz a fim de que possamos tentar progredir, apesar de sabermos que possa causar algum desconforto.

Mas quando países comprometem ou atacam a liberdade religiosa, eles não apenas ameaçam injustamente aqueles que têm como alvo; ameaçam também a própria estabilidade de seu país. E vemos isso acontecer em muitos países. Ataques contra a liberdade religiosa são, desta forma, um problema de segurança nacional tanto moral quanto estratégico para os Estados Unidos.

Gostaria também de destacar que este relatório se baseou em uma vasta gama de contribuintes: líderes religiosos, organizações religiosas e jornalistas. Alguns desses indivíduos demostraram imensa coragem ao se apresentar e compartilhar suas observações. E suas histórias mostram que nós, enquanto comunidade internacional, temos muito trabalho a fazer.

O relatório registra discriminação e violência em países que variam desde democracias estabelecidas a arraigadas ditaduras. Documenta que governos ao redor do mundo continuam a deter, aprisionar, torturar e até matar pessoas em nome de suas crenças religiosas. Em muitos lugares, os governos também falham ao proteger minorias da discriminação social e da violência. O relatório identifica problemas globais de discriminação e violência contra grupos religiosos, incluindo baha'is, budistas, hindus, judeus, cristãos, muçulmanos e sikhs.

Uma tendência preocupante identificada pelo relatório é o crescimento potencial do antissemitismo. Assim, hoje, gostaria de anunciar que nomeei Ira Forman para o cargo de Enviado Especial para Monitorar e Combater o Antissemitismo. Há muito tempo Ira tem sido um campeão na defesa do tratamento justo para todos e tem trabalhado intensamente no combate à intolerância. Além disso, é uma ótima pessoa e estou ansioso para apoiá-lo nessa missão de vital importância. Bem vindo a bordo, Ira.

Finalmente, outra tendência preocupante é o uso crescente de leis regulando a blasfêmia e a apostasia. Essas leis são frequentemente usadas para reprimir a dissidência, assediar oponentes políticos e resolver vinganças pessoais. Leis como essas violam direitos fundamentais de liberdade de expressão e religiosa e acreditamos que devam ser rejeitadas. E, porque defendemos os direitos de expressão dos outros, estamos também assegurando que possamos expressar nossos próprios pontos de vista e praticar nossa própria fé, sem temer por nossa própria segurança ou por nossas vidas.

Por esse motivo, ao viajar pelo mundo, pressiono líderes a fazer mais para salvaguardar a liberdade de crença e para promover a tolerância religiosa. E é por isso que insto todos os países, especialmente aqueles identificadas neste relatório, a agir para salvaguardar essa liberdade fundamental.

Apesar deste relatório ressaltar os desafios da liberdade religiosa, também é verdade que está cada vez mais difícil restringir a liberdade do ser humano. Em toda a história humana, nunca foi tão fácil para as pessoas compartilharem seus pontos de vista, encontrar informações, conectar-se com outras pessoas, até mesmo enviar mensagens desesperadas, pedindo socorro ou que denunciem abusos em curso, graças à comunicação instantânea. Assim, apesar de que graves desafios à liberdade religiosa perduram, não poderia estar mais otimista em relação às perspectivas para a liberdade ao redor do mundo, porque há grandes perspectivas em apontar responsáveis ao redor do mundo.
Muito obrigado. 

Fontes: Google images - Digital Usembassy http://iipdigital.usembassy.gov/st/portuguese/texttrans/2013/05/20130522147823.html#ixzz2V59J5FZX
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