quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Aprendendo com a História: A Síndrome de 313


Por Dr. John Graz, Secretário-Geral da IRLA (International Religious Liberty Association)
Faz exatamente 1700 anos que Constantino emitiu o Édito de Milão, que foi uma Carta assinada por ele e pelo imperador Licínio que proclamava a tolerância religiosa no Império Romano. 
A carta foi emitida em 313 dC, logo após o final da perseguição de  Diocleciano. Diz-se que aqueles que ignoram as lições da história estão condenados a repeti-las. Um excelente exemplo disso é o que pode ser chamado de a síndrome de 313.

Para aqueles que não estão familiarizados, o ano 313 é um dos momentos mais importantes na História dos Direitos Humanos e da Liberdade Religiosa. Este ano, a data tem um significado especial, como 2013 marca o aniversário de 1700 do Édito de Milão. Faria muito bem a todos nós que ainda acreditamos apaixonadamente na dignidade humana e nos direitos individuais lembrar deste Édito que realmente mudou o curso da História do mundo ocidental. Sua implementação pôs fim à perseguição religiosa no Império Romano e restaurou as propriedades da Igreja. Não só o Édito de Milão assegurou tolerância a todas as pessoas, como resultou no tratamento de igualdade dos cristãos com todos os outros cidadãos romanos.

Mesmo um olhar superficial nas manchetes de todo o mundo de hoje revela um número de países que caem nas mãos de fanáticos religiosos. Onde, outrora, já houve um grande progresso, hoje há um enorme retrocesso. As minorias religiosas em um número de casos estão novamente sendo aterrorizadas por aqueles que procuram oprimir. Tal opressão é tão extrema, por vezes, que estamos vendo pessoas condenadas à morte pelo “crime” de mudar de religião, ou até mesmo oferecendo críticas leves.

Será que 1700 anos depois, nós não aprendemos nada com a História? Onde está o Édito de Milão, o que mais é preciso para aprendermos?

A História continua a nos ensinar. Em 380, o Édito de Tessalônica destruiu o grande Édito de Milão. O cristianismo se tornou a religião oficial do Estado. A esperança de liberdade religiosa para todos - tornada possível pelo Édito anterior - desapareceu. Era inevitável? Foi o Édito de Milão fadado ao fracasso desde o início, porque estava à frente de seu tempo?


Neste 1700 º aniversário do Édito de Milão, proclamado em 313 dC podemos refletir se  realmente há uma síndrome que faz da liberdade religiosa um valor meramente  conjuntural?

Será que em nosso estado natural a opressão é a norma, para ser ocasionalmente interrompida por curtos períodos (historicamente falando) de tolerância?

Será que a maioria dos habitantes do Paquistão, Irã, Arábia Saudita votaria hoje num documento equivalente ao Édito de Milão?

Não temos tanta certeza de que a resposta seja sim! A defesa, proteção e promoção da liberdade religiosa nos tem surpreendido, muitas vezes, com a falta de entusiasmo entre alguns segmentos, incluindo os membros das minorias religiosas, que elas mesmas foram oprimidas.

Tudo isso nos leva a uma ponderação adicional. Será que os cidadãos do mundo deveriam ver a liberdade religiosa como um privilégio? Ou a liberdade religiosa deve ser encarada como um direito humano essencial?

Se sua opção for a primeira, então isso talvez explique o porquê de muita complacência que vemos ao redor do mundo. Mas, neste caso, as pessoas devem tomar cuidado para não pensar nessa questão como a raiz da violência, ou de um espírito de vingança. Um desejo de vingança pode ser uma emoção natural do ser humano, mas torna impossível uma solução equilibrada numa sociedade justa. A história tem mostrado que a lei de Talião, olho por olho e dente por dente, é a maneira errada para se estabelecer uma cultura de paz, liberdade de crença e de uma convivência  respeitosa.

A liberdade religiosa não é sobre o fraco de hoje tornar-se forte e exigente amanhã para executar sua vingança.

Lembremo-nos de que 313 foi muito mais importante do que simplesmente uma ponte para o que aconteceu em 380, quando o cristianismo se tornou a religião oficial do Estado Romano, ocasião na qual o espírito de vingança superou o espírito de liberdade, infelizmente.

É fundamental aprendermos as lições certas da história, para que não se repitam os erros.

Fontes:  www.irla.org
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