segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Reflexão sobre religião e política

                                                                                             *GABRIEL NOVIS NEVES
Recente pesquisa nacional nos informa que noventa e sete por cento dos brasileiros acreditam em Deus.

O assunto religião e fé ficam mais expostos no período eleitoral. Todos os candidatos a cargos eletivos fazem verdadeiras peregrinações pelas igrejas e templos: judaicas, cristãs, africanas, muçulmanas, budistas, islâmicas ou outras de manifestações de cultura religiosa.

Não percebem o ridículo que propiciam aos observadores do comportamento humano. Candidatos hipócritas chegam a manifestar aos mais íntimos que vão a esses santuários sagrados apenas na esperança de conseguir uns votinhos.

É deprimente ver ateus e agnósticos tentarem enganar a si mesmos e aos fiéis. Demonstram com essa estúpida atitude que não sabem que o papel do Estado é garantir a plena liberdade de culto.

Tentar impor as regras da sua crença religiosa a todos é uma atitude tão fundamentalista quanto a dos estados islâmicos.

Se um candidato é católico, evangélico, e fala ao seu público, tudo bem. O insuportável é explorar a religião no período eleitoral.

Que religiosos defendam seus princípios é aceitável. Incomoda é quando a manifestação é unilateral.
A subjetividade do outro não é uma doença.

As pessoas têm o direito de combater as coisas mais estúpidas, mas, não impô-las. É a chamada intolerância dos intolerantes.

É delicado decidir até onde vai a liberdade de expressão!

Acreditar na Bíblia não é fundamentalismo, e poucos que a leem não acreditam nela, embora afirmem o contrário. A poesia tem uma linguagem simbólica, e a religião também a usa.

Os conceitos foram criados e podem ou não serem seguidos, pois fé não se discute, respeita-se.

Nossos políticos têm dificuldade de falar com o povo sobre a sua opção religiosa temendo perder votos. Isso é uma bobagem comparando com o oportunismo eleitoral de declarar o que não é nem nunca foi.
No Brasil existem, declarados, cerca de dois milhões de ateus. Para eles Deus não existe. Esse grupo se assemelha muito aos fundamentalistas.

O cristianismo influenciou muito a nossa formação. E a maioria do povo brasileiro é cristã.
O agnóstico não crê em nada, mas é tolerante com outras crenças.

O mundo é dependente da religião. Sejamos prudentes com a razão, que é civilizatória.
No mundo falta tolerância entre as religiões, criando a estupidez silenciosa, que é perigosa. Devemos sempre trabalhar para alargar a tolerância.

As religiões, em geral, têm ideia sobre a vida íntima das pessoas e o Estado não deve se meter nesses assuntos.

Pode haver uma forma de alguém cultivar uma religião e ser mais generoso.

Existem inclusive uns poucos, muito poucos, que apesar de não comungarem de qualquer tipo de religião, são portadores do que é mais importante, uma profunda religiosidade. São pessoas cujo maior lema é respeitar o outro e suas crenças e diferenças de qualquer ordem.

Todas as religiões têm um efeito formador na nossa sociedade por pregarem valores justos.
Disciplinam muito a vida, porém há pilantras entre elas, assim como eles existem em todos os setores da humanidade.

*GABRIEL NOVIS NEVES é médico e ex-reitor da UFMT
Fonte: http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=460528

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